... Ela se acha feia enquanto se olha da cabeça aos pés com o maior olhar de reprovação que já se viu no mundo. Ah, se ela soubesse que quando aparece na minha frente é como se ligassem um holofote e apagassem todas as outras luzes do mundo. Ela tem aquilo que toda mulher tem antes de sair de casa: insegurança pré-encontro. Diz que não tem roupa nenhuma pra usar, se joga na cama bufando pelos cantos e se irrita a ponto de chorar por se sentir gorda e descabelada. Se ela soubesse que top model nenhuma tem as curvas perfeitas dela que se adaptam às minhas mãos no momento em que as cócegas a fazem sorrir de felicidade… Ela é linda, inteligente, charmosa, encantadoramente minha. Mas se perde em devaneios quando pensa sobre si mesma. Eu diria que essa inconstância gostosa faz parte de toda mulher. Mas não. É dela e só dela. É ela quem chega, tímida e acanhada, e me arranca um sorriso torto de quem não quer sair dali de jeito nenhum. E ela quem joga as pernas por cima das minhas enquanto o filme vai ficando mais chato a cada minuto. E ela mesma quem chora com um final feliz. Dá gosto de estar com uma mulher assim, sabe? Ah, se ela soubesse como o rosto dela reluz todas as vezes em que acredita num final feliz. Me dá vontade de ficar pra sempre e oferecer o meu “pra sempre feliz” pra ela, sem final nenhum. Garota, você sabe quão maravilhosa você é? Acho que não faz idéia da força que tem nos olhos, no andar marcante, nas pernas torneadas. Você nem deve entender o porquê da minha admiração enquanto você traja um vestido florido meio bobo, meio sem graça, que não faz a menor diferença quando o assunto é sobre você. E as pessoas na rua vão perceber. Vão reparar que não tem roupa, nem acessório e muito menos salto alto que possam desbancar uma mulher dessas na minha frente. E a minha boca aberta não é de espanto nem de surpresa: é de constatação. Meu bem, você é algo que eu nem sei dizer direito. Assim, do seu jeito.
_ele.

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