E como era de se esperar, uma hora a ferida vai fechando. E vai fazendo aquela casquinha feiosa por cima e a tendência é cicatrizar. Mas a casca é angustiante, dá uma vontade enorme de arrancar. A gente sabe que vai sangrar, mas a gente se sabota e tira a casquinha. E dai sangra, sangra bastante, dói, a gente chora, poe band-aid, faz curativo e reza pra fechar logo. Nessa etapa, sempre vem algum engraçadinho com um sorriso lindo com um remedinho que parece milagroso, que na hora faz um bem enorme, mas duas horas depois ja nao faz efeito nenhum. Sabe, não tem jeito, negocio é esperar a casquinha se refazer. E ela se refaz, e quando voce se dá conta ja está sumindo, virando cicatriz mesmo. Negócio é estar disposta a tratar a ferida e não se deixar suscetível a sabotadores sorridentes. Porque sim, eles estão em todos os lugares e vão aparecer. E pronto, chega o dia em que a casquinha cai sozinha e a ferida vira cicatriz mesmo. Mas tem uma coisa, apesar de cicatrizar, o problema desse tipo de ferida – das que abrem fácil, é que como a casquinha é arrancada muitas vezes, a cicatriz fica feia. Fica daquelas cicatrizes com marquinha que voce sempre lembra como machucou.
_eu

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