terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Mãos cheias de nada

E finalmente não havia mais. Não havia mais medo de perder. Não tinha duvidas de estar fazendo a coisa certa. Estava só fazendo o que deveria ser feito. Colocando as coisas no lugar. Recolocando. Não havia mais angustia, não tinha mais dor. Não tinha mais aquele pensamento que ficava indo e vindo e finalmente dava pra dormir. Pra dormir uma noite inteira sem acordar de pouco em pouco no susto, achando que alguma noticia chegou e enquanto dormia, essa se perdeu. Já chega de tanta dedicação ao que não se tem mais. Tudo que podia ser feito foi feito. Tudo que podia ser dito e até o que não devia foi dito. Agora a ordem é cuidar do que se têm. Cuidar do que ficou e do que chegou depois. O tempo é curto e se esvai. É preciso estar atento pra não perder por entre os dedos o tempo que pode se tornar momento, tempo que pode ser instante, tempo que deve ganhar valor.

‘perderá os pombos das mãos se tentar pegar os que estão voando’.”


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